(Formação: Imobiliário já não é só opção profissional “por acidente”)

A Licenciatura de Gestão Imobiliária da ESAI recebe cada vez mais pessoas com licenciaturas em outras áreas e jovens que querem avançar com uma carreira no setor.

Durante muitos anos, as profissões ligadas à atividade imobiliária estiveram conotadas com mudanças de vida, que obrigaram pessoas já com alguma idade e experiência a optar por uma nova carreira. Mas, atualmente, “esse paradigma já se encontra em mudança”, garante Vítor Reis, diretor da Escola Superior de Atividades Imobiliárias (ESAI).

“Apesar de haver ainda um número elevado de agentes no mercado que chegam à mediação por acidente, verifica-se cada vez mais uma ideia de profissão com carreira”, assegura, salientando que “naqueles que chegam à mediação imobiliária por acidente”, já “um número crescente dos que ficam apaixonados por esta profissão, mas que pretendem aumentar os seus conhecimentos para a poderem exercer de forma profissional”. Ainda assim, tendo em conta os milhares de mediadores que existem em Portugal, a oferta formativa é relativamente reduzida. Vítor Reis revela que “o número médio de entradas nos últimos anos é de 60 alunos em cada ano letivo”, um valor estável que só reduziu nos “anos de crise do imobiliário”. O diretor da ESAI recorda que a Licenciatura em Gestão Imobiliária foi “reconhecida pelo Ministério da Educação pela Portaria n.º 880/90, de 22 de setembro, tendo iniciado a sua lecionação nesse mesmo ano”, tendo nascido “da vontade em formar nas atividades ligadas à fileira da Economia do Imobiliário” profissionais qualificados “para poderem atuar num mercado que ganhava uma importância crescente na economia portuguesa”.

Recentemente, a ESAI e a Licenciatura em Gestão Imobiliária foram “acreditadas pela A3ES pelo prazo máximo de 6 anos”, o que constitui “uma prova do trabalho de qualidade que temos vindo a desenvolver na formação dos agentes imobiliários”, garante Vítor Reis.

O diretor da escola adianta que inicialmente os alunos da licenciatura eram, essencialmente “profissionais já ligados ao setor que pretendiam aumentar os seus conhecimentos e evoluir na sua área de atividade”, destacando que, ao longo de 30 anos, “esses profissionais continuam a ser um número significativo dos alunos que todos os anos se inscrevem”.

No entanto, “nos últimos anos o seu perfil mudou”, assegura Vítor Reis, apontando “a entrada de várias pessoas já com licenciatura noutras áreas distintas do imobiliário que pretendem iniciar uma carreira neste mercado, assim como um número crescente de alunos que acedem pelo contingente normal, após terminarem o 12º ano”.

Atualmente a média de idades situa-se entre os 35 a 40 anos, mas, segundo o diretor da ESAI, há “alunos a frequentar a licenciatura desde os 19 anos até aos acima de 60”.
Para Vítor Reis, a “oferta formativa que existe neste momento já é bastante interessante e diversificada, desde a licenciatura até seminários e workshops de curta duração”, mas, reconhece que a questão da atratividade desta área é “independente da oferta formativa”.

“Durante anos a mediação imobiliária sofreu do estigma de ser uma solução de recurso para pessoas em dificuldades de emprego, sendo dado um aspeto de um certo facilitismo de acesso à profissão que acabou por desqualificar do ponto de vista profissional”, refere.

O diretor da ESAI defende que é “necessário fazer uma campanha que apresente a mediação imobiliária como uma área de saber especializado, com uma perspetiva de carreira e de status social”, tendo em conta “não apenas os ganhos ilusoriamente fáceis” mas apresentando “uma profissão com impacto social relevante, pois interage com uma vasta população no aconselhamento do seu principal investimento na vida”.
Para Vítor Reis, é preciso ainda “apresentar as diferentes áreas de atuação do mediador imobiliário, não apenas na transação de imóveis de habitação, mas também como um dos elementos mais importantes na definição de produtos imobiliários”, destacando que competências são necessárias “para atuar nesse papel”.

UM SETOR EM EVOLUÇÃO

Quanto às tendências para o futuro do setor, Vítor Reis não tem dúvidas: a tecnologia vai dominar todas as atividades.
“As novas tecnologias já estão bastante presentes e a área do proptech (property technology) na mediação imobiliária é já uma preocupação em diversos países”, garante, explicando que “as alterações do perfil do utilizador, as novas exigências provocadas pela introdução das novas tecnologias no negócio imobiliário, o aumento da complexidade do ambiente financeiro e legal em que o mediador tem que atuar, levarão naturalmente à necessidade de este apostar na sua formação para conseguir acompanhar as evoluções”.
Citando uma investigação realizada em Inglaterra sobre o impacto das novas tecnologias nas diversas profissões, o diretor da ESAI refere que “a área da mediação imobiliária surgia em 5º lugar das mais afetadas, estimando-se que até 2030 o número de profissionais reduzisse em 80%”.

Por isso, “apenas os que conseguirem acompanhar a evolução terão condições para ter sucesso”, adianta, realçando que “a formação terá também de evoluir, para que o mediador possa saber aproveitar as novas ferramentas que vão surgindo, ou ser capaz de inovar e criar ele novos modelos de fazer negócios”.

Artigo citado da revista Imobiliário em Direto (www.imobiliarioemdireto.pt)

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