Um projeto de Ensino Superior ao serviço do Imobiliário Português

Outubro 2017

Mercado Imobiliário em alta com quase 189 mil vendas este ano


Os preços são apetecíveis para quem quer vender e o crédito fácil ajuda quem quer comprar: o mercado imobiliário está novamente em alta e, se continuar como esperado, neste ano deverá aproximar-se do recorde de vendas de 2010. Para já, foram vendidos quase 189 mil imóveis em Portugal, segundo os dados cedidos ao DN/Dinheiro Vivo pelo Ministério da Justiça. Destes, cerca de 94 mil correspondem a imóveis de habitação.

Os números dizem respeito às certidões de registo predial, obrigatórias por cada ato de compra e venda, e que dá conta ao Estado da composição, proprietário e tipo de encargos (hipoteca, penhora, etc.) de um determinado imóvel. Agregam, por isso, tanto vendas de casas residenciais como terrenos ou garagens.

“Não mais de metade deste valor dirá respeito a imóveis de habitação”, estima Luís Lima, presidente da APEMIP, a associação que representa os profissionais do imobiliário ao DN/Dinheiro Vivo, frisando que houve uma recuperação constante do mercado de compra e venda desde o ponto mais baixo alcançado em plena crise económica – 2013.

Nesse ano, foram vendidas 176 850 casas, mostram os dados da Justiça. Eram menos 46,7% do que no pico de 2010, altura em que muitos promotores e empresas de construção tocavam no fundo. A recuperação começou a partir daí e tem sido consistente. O teto máximo de vendas pós-crise aconteceu no ano passado, com a notícia de 258 316 transações imobiliárias.

Neste ano serão mais. Tendo por base os quase 190 mil registos até à primeira semana de setembro, a APEMIP estima um fecho de 2017 com 270 a 280 mil vendas de casas. A verificar-se, será o valor máximo desde 2010 ficando, ainda assim, abaixo deste recorde (332 241).

Quanto a casas de habitação, Luís Lima não tem dúvidas: “Com base nesta tendência, a minha estimativa aponta para que sejam vendidos até ao final do ano 150 mil alojamentos familiares.”

Poucas casas novas
Até ao terceiro trimestre do ano passado foram vendidas 191 415 casas em Portugal, um valor ligeiramente acima dos atuais 188 669, que ainda não contêm as últimas três semanas de setembro, mês que ainda decorre. O último valor comparável é, por isso, o do segundo trimestre de 2017, altura em que foram transacionadas 138 249 casas em Portugal, mais 12 731 do que no mesmo período do ano passado. Contas feitas: até junho as vendas cresceram 10%.

E com uma nuance: com a construção nova ainda a marcar passo, são as casas em segunda mão que mais fazem o mercado mexer. Das quase 189 mil vendas, 13,7% diziam respeito a imóveis a estrear. Os restantes 86,3% eram imóveis que já tinham uma descrição anterior nos registos e notariado.

Não é de estranhar, afirma Manuel Reis Campos, presidente da AICCOPN, a Associação da Construção, dando conta de um andamento rápido do mercado da reabilitação urbana em Portugal, com muitos edifícios totalmente remodelados “em que só fica a fachada e lhes é retirado todo o ‘miolo’” mas que, por causa do registo anterior, apartamentos novos acabam por entrar na estatística dos usados. Até junho, o mercado da construção nova representou 4400 edifícios, “quase o dobro” da reabilitação, dados da AICCOPN.

Quanto às áreas, a maior parte das transações de casas está a ter lugar em Lisboa e no Porto, impulsionadas, especialmente, pelos investidores estrangeiros e pela reabilitação de imóveis. A Capital já responde neste ano por 38 mil transações, mas o Porto tem vindo a ganhar expressão e vai já com 26 640 vendas de imóveis. Além destes, também as vendas assumem expressão nos distritos de Faro, Leiria, Coimbra e Braga. “O investimento estrangeiro está a puxar pelo valor das vendas e os portugueses pelo volume”, diz Luís Lima, lembrando que “o mercado dos imóveis reabilitados está a ter uma grande circularidade”, com os investidores a comprar para depois vender.

António Menezes Leitão, da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), repete: “Há muita gente que hoje compra um imóvel e três meses depois já está a vendê-lo com lucro. Muitas destas vendas acontecem num período inferior a três meses”, detalha. Para o presidente da ALP, este mercado de revenda está a alimentar a especulação imobiliária em Portugal e, perante negócios cada vez mais apetecíveis, “este fator joga contra o arrendamento tradicional”, afirmou ao DN/Dinheiro Vivo. “O crédito é o grande motor destas vendas, mas aquilo a que estamos a assistir é a uma bolha no imobiliário”, completa.

Fonte: Diário de Notícias



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